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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Que venham mais seis, e mais treze anos!


*** 6 anos de O ESTOPIM***

Por Hellen Dirceu Genoíno Cristhyan

Tínhamos um sonho remoto, interpretado por muitos como um passo a mais do que a nossa perna chegaria, uma utopia... Há seis anos tínhamos um sonho remoto. Ousamos. A vontade de mudar o mundo, ou se isso for muita pretensão, a vontade de mudar a realidade a nossa volta, nos deu força, garra e coragem!

O termo escolhido por um grupo de estudantes da UFBA - há seis anos - para denominar nosso coletivo significa o grande estouro. O Estopim! é a chama inicial das grandes transformações que pretendemos ajudar a construir. Traçamos um paralelo também ao jornal ISKRA (Á CENTELHA) elaborado pelos revolucionários russos no exílio antes da grande revolução de 1917.

O Coletivo O Estopim completa hoje, e não é por acaso ser na data simbólica do 1º de maio, seis anos de muitas lutas. Já passaram por aqui tantas e tantos lutadoras/es pela veia do movimento estudantil que não da para parabenizar nominalmente a todas e todos

Entretanto, uma pessoa em especial, merece ser referenciada aqui. Frederico Perez,

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Sem memória, como chegar à verdade?

Pauta de diversas disputas internas – que vão desde a forma de organização, seu caráter, publicização ou não dos relatórios – e polêmicas nas redes sociais, que por um lado representam a pressão dos movimentos sociais que exigem respostas, e por outro apontam diversas ameaças de militares e seus co-réus, a Comissão Nacional da Verdade tem agora pouco mais de oito meses para chegar ao grande veredito.

Não será fácil. A começar pela Lei de Anistia Política instituída no Brasil em 79. Como diz Carlos Augusto Marighella, filho do Mariguella, a Lei pressupôs “uma anistia de araque, viciada pela ideia de que a gente deveria, de alguma maneira, perdoar os torturadores"¹. A Anistia brasileira, porém, apesar de carecer urgentemente de uma reinterpretação, quicar de sua anulação, não encontra no Estado disposição para fazê-la.

Dar nome aos bois também tem sido uma das grandes dificuldades da Comissão. O constante emprego de codinomes pelos carnífices do povo brasileiro, por vezes o rosto encoberto (da vítima ou do agressor), as roupas à paisana (sem identificação de patentes ou farda), dificultam a memória individual e coletiva das testemunhas. 

Outro grande empecilho para a memória e a verdade são as violações institucionais, como as prisões sem ordem judicial, ou qualquer tipo de registro, reiteradas vezes ocorridas, violando direitos como o reconhecimento à personalidade jurídica e o direito das famílias de saber a verdade. Além disso, o esvaecimento de diversos arquivos daquela época deixa um vácuo atormentador. Mesmo que já comprovada a constante troca de informações e documentos entre todas as instâncias policiais e do governo à época, não há quem preste contas dessa queima de arquivo.

Entretanto, a verdade não poderá mais ser calada. O cálice de vinho e de sangue já fora derrubado e determina que haja justiça. Os facínoras estão envelhecendo e não podemos mais esperar - ou então serão apresentados laudos médicos de suas incapacidades mentais, outros já estarão mortos, assim como não duvido que algum venha a perpetrar atentado contra a própria vida. Precisamos correr contra o tempo e deflagrar a criação de Comissões da Verdade em todas as entidades, instituições e organizações. É, por dever, que as universidades brasileiras abram seus arquivos: a constituição de Comissão da Verdade em suas instâncias é imprescindível para se fazer saber da luta de todos e todas os/as estudantes e de quão repressor foram os Conselhos Universitários e suas instâncias no período ditatorial.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Um ponto final nessa história de racismo?

“Se até Morgan Freeman falou que não temos que falar nesse negocio de racismo, porque eu, universitárix, vou falar disso? Isso irrita. Para vocês tudo é racismo. O que eu digo não é racismo, é só minha opinião.”
Tradicional discurso racista de universitarixs Brasil afora.

A ofensiva racista cresce a passos largos, mesmo com todas as lutas pela garantia dos direitos humanos, sociais e contra o preconceito no Brasil e no Mundo. Enganam-se os que pensam que o lugar tido com tradicional de produção do saber, a universidade, está livre deste mal secular: visivelmente presente nos trotes, o racismo nas universidades ganha diferentes facetas para dificultar a sua denuncia e combate.


Este ano diversas declarações de universitárixs ganharam a primeira página de jornais impressos e muito debate nas redes sociais por confessado cunho racista. Foi assim no caso de uma aluna de Publicidade e Propaganda da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) que vinculou no seu twitter, no último dia 31, a frase "Acabei de quase ser atropelada por um casal de negros. Depois vocês falam que é racismo né, mas TINHA QUE SER, né?". Como se não achasse pouco a expressão “Tinha que ser, né?” afirmando seu racismo, a aluna da PUC-RS incrementou: "Eu não sou racista, aliás, eu não tenho preconceitos. Mas, cada vez que aprontam uma dessas comigo, nasce 1% de barreira contra PRETOS em mim".

Em um jornal acadêmico da UFSC, texto de aluna de 1ª fase do curso de Direito que se dispõe a analisar o mercado imobiliário em Florianópolis diz: “Você tem direito a subir um morro bem alto, não pagar água, e às vezes nem luz, não pagará mais aluguel, e vai ter que conviver com os traficantes de drogas (diga-se de passagem, afrodescendentes) que são sustentados por muitos estudantes dessa bela universidade.”; na UFMG um professor chamou um de seus estudantes (um jovem de 15 anos, negro) de macaco durante sermão por risadas na sala de aula; outro registro de destaque foi o caso do trote do curso de direito, também na UFMG, que vinculou a foto de uma estudante amarrada com uma placa dizendo “Caloura Chica da Silva”, além de fotos de cunho nazista; e essas cenas retratam apenas uma parte do problema.

Declarações preconceituosas, a maioria de cunho racista, por parte de estudantes universitarixs, e a polêmica em torno desses episódios, são apenas a ponta do iceberg desenvolvido por toda contradição na formação histórica (social, política, cultural e econômica) de nossa sociedade e traz a tona à discussão sobre o papel social da universidade brasileira.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Amanhecerá! De novo em nós! Amanhã, será?

O movimento estudantil, depois de alguns anos de refluxo, busca novas formas de atuação para alcançar aquelas velhas e valorosas bandeiras por educação pública de qualidade. Em formatos irreverentes como escrachos, beijaços, disquetes e várias tecnologias nas redes sociais, o movimento tenta se reorganizar e alcançar o maior número de estudantes, acompanhando as transformações sócio-culturais.

Entretanto, alguns agrupamentos que dizem ser de esquerda esquecem-se da ideologia - da luta diária, real - e vivem de gincanas ou místicas mal elaboradas, e sem conteúdo. 

Nós, socialistas, devemos cumprir o papel de elevar o discernimento e politização dos trabalhadores e trabalhadoras; pautar as bandeiras históricas e atuais de forma assídua e responsável; fazer a luta nas ruas e também disputar a intencionalidade, sem deixar que ela nos sugue para a burocracia. 

É bem sabido que todo fenômeno histórico é singular, e assim, irrepetível. A importância dos Novos Baianos, por exemplo, para a cultura e a música brasileira é irrevogável. No entanto, seu suingue irresistível, não foi o estopim para a derrocada dos anos de chumbo. A juventude vivia fora daquele sítio-hippie. Querer reviver esse movimento paralelo, e anarquista, sem o conteúdo que eles apresentavam - em pleno século XXI - é surreal e pode ser facilmente nomeado de esquerda festiva.