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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Que venham mais seis, e mais treze anos!


*** 6 anos de O ESTOPIM***

Por Hellen Dirceu Genoíno Cristhyan

Tínhamos um sonho remoto, interpretado por muitos como um passo a mais do que a nossa perna chegaria, uma utopia... Há seis anos tínhamos um sonho remoto. Ousamos. A vontade de mudar o mundo, ou se isso for muita pretensão, a vontade de mudar a realidade a nossa volta, nos deu força, garra e coragem!

O termo escolhido por um grupo de estudantes da UFBA - há seis anos - para denominar nosso coletivo significa o grande estouro. O Estopim! é a chama inicial das grandes transformações que pretendemos ajudar a construir. Traçamos um paralelo também ao jornal ISKRA (Á CENTELHA) elaborado pelos revolucionários russos no exílio antes da grande revolução de 1917.

O Coletivo O Estopim completa hoje, e não é por acaso ser na data simbólica do 1º de maio, seis anos de muitas lutas. Já passaram por aqui tantas e tantos lutadoras/es pela veia do movimento estudantil que não da para parabenizar nominalmente a todas e todos

Entretanto, uma pessoa em especial, merece ser referenciada aqui. Frederico Perez,

nosso Zé Gotinha, Camarada Dica, nosso Fred, iniciou sua militância ainda enquanto secundarista na Escola Agrotécnica Federal de Guanambi, onde foi membro do Grêmio. Ao ingressar na UFBA, participou ativamente de uma das maiores mobilizações desta universidade - a luta pela ampliação de vagas nas Residências Universitária, que culminou em uma ocupação de oito meses de duração.

Desde então abriram diversas portas para a militância política de Fred, com destaque para sua atuação no Diretório Acadêmico de Enfermagem, que hoje leva seu nome, na Executiva Nacional das Estudantes de Enfermagem, na Associação de Casas de Estudantes da Bahia (ACEB) e na diretoria de assistência estudantil do DCE UFBA.

Fred foi um dos maiores articuladores do coletivo O Estopim. Desde a sua fundação, até os últimos dias de sua breve vida, Fred dedicou-se na luta dos direitos humanos, da assistência e permanência estudantil e, pela esquerda, nas lutas das juventudes. Seria impossível falar desses seis anos, comemorar esses seis anos, sem trazer á memória a vida e militância de Fred.

Esse camarada nos deixou de uma forma brutal. Sua vida foi ceifada pelas mazelas do estado burguês que ainda prefere barganhar com as dificuldades e excentricidades da terra, do que atuar na esfera pública em prol da população. Frederico Perez, você estará sempre presente em nossas lutas, não nos ajoelharemos, não nos resignaremos e não nos cansaremos de tuas lutas! E a militância segue...
O ano de 2014 já é um ano muito especial para as juventudes, principalmente depois da ousadia das/os milhares de jovens que protagonizaram as manifestações, aquelas que tomaram as ruas do Brasil em junho de 2013.

A juventude hoje tem a chance de participar de um momento histórico, em que esse segmento, em suas mais variadas formas de expressão, chama a atenção de toda a sociedade para seguir somando os braços de luta na construção de um país e de um mundo mais justo.

Desta forma, pedimos licença à história e, para além da intervenção no movimento estudantil, nos propomos a ajudar na organização das juventudes, no intuito de defender as reivindicações históricas pertencentes a estas.

Nessa comemoração de seis anos de existência, mais um ato de coragem nos cercou. Dentro desse tempo nós fomos crescendo, reoxigenando nossas pautas, ampliando nossas intervenções, nacionalizando nossa política. Hoje estamos presente em mais de 10 Estados e enfrentamos agora a árdua e agradável tarefa de ser uma organização de juventude que atua enquanto frente de massas, uma organização horizontal, com recorte classista, um instrumento da esquerda para a luta das juventudes.

Estamos dispostos a dedicar esforços na construção do sujeito popular a fim de influenciar na luta de classe nos terrenos econômicos, ideológico e político.

O Coletivo O Estopim se soma aquelas e aqueles que acreditam numa sociedade com vidas livres de violência em suas várias formas, preconceito e desigualdades, com garantia da autonomia pessoal, do corpo e da maternidade, liberdade religiosa e sexual.

Nos juntaremos sob a bandeira de uma sociedade com tempo disponível ao desenvolvimento cultural e político, com a garantia de direitos, entre eles o de ir e vir, fazer suas escolhas, do descanso, do lazer, do trabalho, até o direito de ser feliz, seja nas escolas/universidades, no trabalho, em casa, no futebol, nas eleições, nas relações, nas redes e nas ruas.

Entendemos que a construção do projeto democrático e popular é a agenda da esquerda brasileira e mundial. Romper com a privatização da política, a sub representação da juventude nas esferas de tomada de decisão, o genocídio da juventude – em especial das negras e negros, é uma tarefa primordial, bem como barrar o avanço neoliberal, fazer sangrar o agronegócio e os latifúndios.

Conclamamos as lutadoras e lutadores jovens a somarem-se ao Estopim numa perspectiva de construção horizontal dos direitos das juventudes e no combate ao imperialismo.

“O que vivemos de aventura e de harmonia nos marcou.
Com essa família que espalha tanto sonho e liberdade
E nem as grades no pavor da ditadura fez calar
As suas vozes (...)
Ser feliz é pra quem tem coragem!
Coragem é um dote,
Coragem é pra quem pode!”

Coragem – Jorge Vercilo e Dona Canô